BP Statistical Review of World Energy 2015

Apresentação em Portugal do BP Statistical Review of World Energy 2015

EUA líder global na produção de petróleo pela primeira vez desde 1975.
  • Ano de 2014 pautado por mudanças “tectónicas” na produção e consumo de energia;
  • Estados Unidos ultrapassaram a Arábia Saudita na produção mundial de petróleo tornando-se líderes globais, pela primeira vez desde 1975;
  • A procura de energia primária registou um crescimento “surpreendentemente” fraco, de apenas 0.9%, o mais baixo de sempre desde a década de 90;
  • Consumo energético na Europa apresentou um declínio de 3,9%;
  • As renováveis registaram o crescimento mais rápido no mix energético mundial, sendo responsáveis por um terço do aumento no uso global de energia primária;
  • As emissões globais de CO2 resultantes do consumo de energia cresceram apenas 0.5%, o valor mais baixo desde 1998.
O BP Statistical Review of World Energy 2015, uma das publicações de referência mundial no setor energético foi apresentado no dia 2 de julho em Lisboa por William Zimmern, responsável pelos estudos macroeconómicos da BP, numa sessão no grande Auditório do ISCTE - IUL que contou ainda com as intervenções de Pedro Oliveira, Presidente da BP Portugal, e do ex-presidente executivo da Galp, Ferreira de Oliveira, sobre o tema “A relevância dos projetos de "oil & gas" para o desenvolvimento dos países lusófonos e para a consolidação da CPLP”.

Publicado anualmente há 64 anos o BP Statistical Review of World Energy é uma referência mundial no setor energético que resulta do trabalho da equipa de Energy Economics da BP. O documento, que faz a retrospetiva do ano transato, dando enfoque às principais tendências no campo energético, destaca como as mudanças significativas na produção global de energia e consumo em 2014 tiveram profundas implicações nos preços para o mix global energético e para as emissões globais de dióxido de carbono, num ambiente de rápidas mudanças globais no qual ainda existem muitas dúvidas sobre como irá evoluir o consumo de energia em 2015.
 
A 64ª edição anual do Statistical Review destaca também o facto de os Estados Unidos terem ultrapassado a Arábia Saudita na produção de petróleo a nível global, assumindo pela primeira vez desde 1975 o estatuto de maior produtor mundial desta matéria-prima, além de terem também superado a Rússia como maior produtor mundial de gás. 

Do lado do consumo, a procura de energia primária registou um crescimento “surpreendentemente” fraco, de apenas 0.9%, o mais baixo de sempre desde a década de 90, apesar de a economia mundial ter crescido 3,3%. Uma realidade à qual não é alheia a desaceleração chinesa (com um aumento de apenas 2,6%), nem tão pouco o mau desempenho europeu (onde a procura caiu 3,9%). 
 
As mudanças registadas ao nível da produção e do consumo tiveram fortes impactos tanto nos preços da energia bem como no mix energético. Se por um lado os preços do petróleo caíram acentuadamente, devido ao reforço do fornecimento por parte dos países da OPEP, que atingiram níveis recorde de produção, por outro lado, o crescimento do consumo de carvão na China estagnou e o crescimento global do gás natural também foi fraco devido a um inverno ameno a nível europeu, que provocou uma queda no consumo. 

William Zimmern, líder da área de macroeconomia da multinacional BP, acredita que a cotação do barril do petróleo irá, a médio prazo, subir. “Provavelmente os preços do petróleo não vão ficar onde estão hoje, mas também não vão voltar aos 110 dólares por barril. Deverão ficar algures no meio desse intervalo”, apontou Zimmern durante a apresentação.

Na apresentação do documento da BP, William Zimmern disse ainda que em termos de perspetivas para a indústria petrolífera “a incerteza é enorme”. As principais variáveis que estão a condicionar o mercado global, são a revolução de gás de xisto nos Estados Unidos e o comportamento da procura na China.

Manuel Ferreira de Oliveira também concorda com esta perspetiva de que o preço do petróleo tenderá a subir: “O que está a acontecer é que com os preços à volta dos 60 dólares por barril sente-se de forma tangível a redução da atividade das companhias petrolíferas no gás de xisto nos Estados Unidos e, por isso, de forma a se ajustar às necessidades de rentabilidade da indústria, o preço vai subir um bocadinho”.

Por outro lado, há que contar com o efeito da OPEP, organização dos países exportadores de petróleo. “A OPEP está a tomar uma atitude como a que tomou em 1986, e não quer que outros recursos mais caros entrem no mercado comendo-lhes quota”, aponta Manuel Ferreira de Oliveira.

As energias renováveis foram as que registaram o crescimento mais rápido no mix energético mundial, sendo responsáveis por um terço do aumento no uso global de energia primária no ano em que o consumo deste tipo de energia registou uma desacelaração.