1946-1970 - Pós-guerra

A Anglo-Iranian, que posteriormente deu origem à BP, perdeu muito na II Guerra Mundial. Mas, como muitas empresas, teve a determinação necessária para poder seguir em frente.

Como aconteceu com outras empresas, a Anglo-Iranian, que posteriormente deu origem à BP, perdeu muito na II Guerra Mundial. Mas, como muitas empresas, teve a determinação necessária para poder seguir em frente. 

Tal como a Europa se reconstruiu, também a Anglo-Iranian o fez, investindo em refinarias em França, Alemanha, Itália, para além dos novos esforços comerciais na Suíça, Grécia, Escandinávia e Holanda. A gasolina da BP foi colocada à venda pela primeira vez na Nova Zelândia.

Mas esta frágil estabilidade seria deitada a baixo pelas crises políticas produzidas pelo petróleo no Médio Oriente, com abalos que levariam à retirada de “Iranian” do nome da empresa.

Uma era termina, uma era começa

William D’Arcy pensava que o Médio Oriente era uma mina de ouro que tinha transformado a região, convertendo a pobreza dos seus países em novos rendimentos e influência politica. Mas terá sido suficiente? Nacionalistas de todo o Médio Oriente questionaram, com raiva, o direito das empresas ocidentais lucrarem com os seus recursos. 

Com o imperialismo britânico fragmentado, um sentimento antibritânico estendeu-se rapidamente por todos os países do Médio Oriente. Entre os nacionalistas o Primeiro-Ministro do Irão mostrou-se veementemente contra a presença da Anglo-Iranian no Irão. Em 1951, convenceu o parlamento iraniano a nacionalizar os negócios do petróleo dentro dos limites do seu território. Mulheres e crianças já tinham ido evacuadas. A refinaria terminou a sua atividade. Três meses depois, os últimos funcionários da Anglo-Iranian embarcaram num navio de cruzeiro e foram-se embora. Seguiu-se um impasse. Os governos de todo o mundo boicotaram o petróleo iraniano. Em 18 meses a economia iraniana estava na ruína. As multidões nas ruas exigiam a demissão do Primeiro-Ministro. Quando os partidos voltaram a reunir-se no Parlamento decidiram estabelecer um novo acordo que permitiria o funcionamento de um consórcio de empresas, que incluía a Standard Oil of Indiana (Amoco) e outras mais, para comandar as operações petrolíferas no Irão. A participação da Anglo-Iranian era de 40%. O acordo de cavalheiros entre o antigo Xá da Pérsia e William D’Arcy tinha chegado ao fim. Em 1954, o conselho mudou o nome da empresa para British Petroleum Company.

Novas descobertas em sítios inesperados

Nos anos 60 a tecnologia de exploração tinha melhorado bastante, mas continuava a ser, no entanto, um processo muito demorado e uma ciência imprecisa. Malta parecia promissor, mas não tinha nada. Austrália? Muito pequeno. Papua Nova Guiné? Bem…não. As expedições em Abu-Dhabi, Nigéria e Líbia foram mais bem-sucedidas. A empresa já tinha procurado petróleo no Reino Unido durante mais de 50 anos sem qualquer descoberta. Em 1964, a ONU estendeu os direitos das nações sobre as suas águas territoriais. No ano seguinte, a BP encontrou gás natural no Canal da Mancha suficiente para abastecer uma cidade de tamanho médio.

Contudo, uma grande descoberta estava à espera no Alasca, quando em 1968, depois de uma década de perfuração em toda a encosta norte, a BP estava preses a abandonar a prospeção. O equipamento já estava a ser embalado e aguardava o embarque quando um consórcio rival fez uma oferta extravagante e suspeita pelos terrenos de Prudhoe Bay. Atlantic Richfield (ARCO) e Humble Oil (Exxon) não estavam de acordo, mas na sua última perfuração em Prudhoe tinham encontrado petróleo.

A BP retomou as prospeções e em 1969 encontrou a maior reserva de petróleo jamais encontrada em todo o continente norte-americano. De volta ao Reino Unido, a exploração submarina tinha-se mudado do Canal da Mancha para o Mar do Norte, embora dificilmente alguém, incluindo a própria BP, acreditasse que iria encontrar petróleo. “Não haverá lá petróleo!” disse Eric Drake, chairman da BP, à Reuters em 1970. Seis meses depois, as equipas encontraram o campo de Forties, com capacidade de produzir 400.000 barris de petróleo por dia.