1901-1908 - Primeiro campo

A história da BP está recheada de descobertas. Tudo começou em 1908, com a descoberta de um campo de petróleo num área montanhosa da Pérsia, depois de uma longa e difícil prospeção. Desde então, pequenas e grandes descobertas têm sido o motor do nosso progresso.

O odor do gás natural era inconfundível. Era um cheiro que era possível visualizar. Os vapores passavam através da luz solar e sentia-se um cheiro nauseabundo a ovos podres. Contudo, para George Reynolds, mestre de perfuração, foi a melhor coisa que tinha cheirado nos últimos sete anos.

William D’ Arcy – Perto do Desespero

Enquanto isso, em Inglaterra, William D’Arcy encontrava-se à beira do desespero. Tinha investido toda a sua fortuna no petróleo e agora corria o risco de perder tudo. Parece que os geólogos e especialistas, que o tinham encorajado desde 1901, estavam todos errados sobre a existência de petróleo sob as areias da Pérsia. Como nunca pôs um pé na Pérsia, D’Arcy nem sequer tinha histórias sobre as aventuras da sua viagem para justificar o seu investimento. Tudo o que tinha eram cartas e telegramas do seu explorador a pedir paciência, e praticamente a implorar, para alargar a prospeção até que todas as possibilidades fossem esgotadas. Contudo, a sua paciência, bem como a sua fortuna, estava a acabar. O mesmo aconteceu com a Burmah Oil Company, empresa que tinha financiado a expedição em 1904 (com a falsa esperança de uma descoberta iminente) e estava cansada de não encontrar nada.

Perfurar a 1.600 pés e desistir

Agora, Reynolds estava prestes a receber um telegrama que o avisava do seu regresso. A ordem era que perfurassem até aos 1.600 pés e depois desistissem. Desistir não fazia parte do carácter de George Reynolds, mesmo que pudesse admitir que esta prospeção tenha parecido muitas vezes condenada. Demorou 10 dias só para chegar a Shardin, 8 meses para começar a perfurar e 6 anos de luta para não encontrar nada.

As chuvas torrenciais tinham levado por terra os últimos quatro meses de trabalho, precisamente no mesmo local onde, duas semanas antes, tinha caído num poço uma das brocas de perfuração. 
Mas a boa notícia estava prestes a chegar. Na manhã do dia 26 de maio de 1908 o acampamento acordou com o cheiro a enxofre. Às 16h00 a perfuração alcançou os 1.180 pés e uma fonte de petróleo expeliu em direção ao céu.

Telegramas da Pérsia

Da Pérsia distante os telegramas demoravam a chegar e William D’Arcy recebeu as boas notícias apenas cinco dias depois. “Se isto for verdade, acabaram todos os nossos problemas”, sorriu, acrescentando “não vou contar a ninguém até ter a confirmação”.

Um ano depois, a Anglo-Persian Oil Company, que um dia se tornaria na BP, entrava em funcionamento. A imprensa falou sobre o enorme potencial da nova empresa, de tal forma que no dia em que entrou na bolsa de valores de Londres e Glasgow, as pessoas esperaram cinco dias em frente às caixas de um banco escocês, desesperadas para comprar uma ação. E William D’Arcy, que quase tinha perdido tudo, estava mais rico do que nunca.