1909-1924 - Os primeiros anos

Durante 15 longos anos a empresa viveu altos e baixos mas conseguiu “vingar” numa sociedade e mundo em acelerada transformação. Os “loucos anos” 20 deram à Anglo-Persian Oil Company uma segunda oportunidade de crescer e se reinventar e a empresa não se fez rogada perante a oportunidade que conduziria à sua expansão não só na Grã-Bretanha mas também em toda a Europa.

Para encontrar petróleo na Pérsia, George Reynolds e a sua caravana de exploradores tinham sofrido durante sete anos com o calor severo do deserto, doenças e muitas deceções. Os sete anos seguintes não seria menos difíceis para a Anglo-Persian Oil Company, que um dia mais tarde viria a torna-se na BP.

O território montanhoso de Nafta ocupava 210 quilómetros desde a boca do Golfo Pérsico, precisamente o local onde a Anglo-Persian Oil Company estava a construir uma refinaria para transformar o fluxo de petróleo bruto num produto utilizável. Só para conseguir fazer chegar equipamento de exploração adequado até ao local foram precisos meses. Agora, teria de ser construído um oleoduto que fosse capaz de transportar o petróleo pelo percurso das montanhas. 
Segmentos de tubo chegaram em grandes quantidades desde os Estado Unidos e as equipas levaram-nos ria acima através de batelões, tão longe quanto possível. As mulas faziam o resto, arrastando a mercadoria com a ajuda dos trabalhadores que alisavam o terreno mais ingreme para permitir que os animais passassem. O trabalho foi lento, meticuloso e durou dois anos. 
Assim que estivesse concluída, a refinaria de Adaban seria a maior do mundo, apoiada por uma força de trabalho diversificada: instaladores, pedreiros e empregados da Índia, carpinteiros da China e trabalhadores semiqualificados dos países árabes.

Uma lenda no seu tempo

O contingente britânico da empresa incluía um médico, Morris Young, que tinha acompanhado a equipa de exploração original e tinha acabado por dar assistência à maioria das pessoas que viviam nas proximidades do local de perfuração. A partir de uma tenda em Masjid-i-Suleiman, fundou um hospital e outro em Abadan, que se tornou num dos maiores centros médicos do sudeste da Pérsia, ajudando os habitantes a lutar contra as epidemias e os problemas decorrentes da má qualidade da água.

Novamente à beira da falência

Em 1914, o projeto Anglo-Persian estava, pela segunda vez na sua curta história, quase falido. A empresa tinha muito petróleo mas ninguém a quem vender. Os carros ainda eram muito caros para poderem ser considerados como um mercado com potencial e as empresas europeias e do Novo Mundo tinham encurralado a indústria do petróleo. Para além disso, o petróleo não podia ser vendido como querosene para aquecimento doméstico, um dos principais usos do petróleo na época.

A chegada de Winston Churchill

A chegada de Winston Churchill, que tinha assumido um novo papel na política britânica, foi determinante. Os britânicos estavam orgulhosos da sua marinha e os seus navios movidos a petróleo eram a mais recente inovação. Mas, enquanto viam na Marinha Real um novo e próspero cliente, a velha guarda de Whitehall estava relutante em apoiar o mais recente rival do carvão.
Churchill achou que a Grã-Bretanha precisava de um fornecedor único de petróleo e levou o caso ao Parlamento, convidando os seus colegas a apoia-lo. “Apenas a britânica Anglo-Persian Oil Company pode defender os interesses do povo britânico”, disse.

A proposta foi aprovada com uma votação expressiva e o governo britânico tornou-se um dos maiores acionistas da empresa. Churchill tinha acabado com a crise financeira da Anglo-Persian e ninguém teve tempo para pensar nas consequências a longo prazo de misturar os interesses financeiros da empresa com uma entidade pública. Duas semanas depois o Arquiduque Franz Ferdinand foi assassinado em Sarajevo. Seis semanas mais tarde, a Alemanha atacou a França. Tinha começado a Grande Guerra.

Duas grandes aquisições e uma década louca

Apesar do nome, a marca British Petroleum foi criada por uma empresa alemã, como forma de comercializar os seus produtos na Grã-Bretanha. Durante a guerra, o governo britânico apoderou-se dos ativos da empresa e o administrador público vendeu-os à Anglo-Persian em 1917. Com esta aquisição, a Anglo-Persian ficou automaticamente com uma importante rede de distribuição no Reino Unido, que incluía 520 depósitos, 535 vagões-cisterna, 1.102 veículos, 4 batelões e 650 cavalos.

No mesmo ano, com a guerra na fase final, a Marinha Real queixou-se que o petróleo da Anglo-Persian estava a causar problemas nos seus motores em climas mais frios. Para combater esta contrariedade, a Anglo-Persian comprou uma mansão em Sunbury, perto de Londres, onde montou um laboratório de investigação na cave, onde eram orientadas as atividades científicas.  

Durante a década seguinte, o gás e a eletricidade iam substituir largamente o querosene para aquecimento doméstico, os veículos a gasolina surgiram como uma alternativa ao transporte ferroviário e a era do automóvel tinha começado verdadeiramente. Estas alterações sociais abriram uma porta à Anglo-Persian, que encontrou a oportunidade perfeita para expandir as suas vendas, não só na Grã-Bretanha mas também em toda a Europa.