BP Statistical Review 2013

O maior aumento anual alguma vez registado no que respeita à produção de petróleo dos EUA e a flexibilidade do sistema mundial de energia foram alguns dos destaques abordados durante a apresentação oficial do BP Statistical Review of World Energy 2013, no dia 27 de Junho, em Lisboa. 
Esta publicação de referência mundial no setor energético, que resulta do trabalho da equipa de Energy Economics da BP, foi apresentada por Paul Appleby, Head of Energy Economics da BP Oil perante uma plateia de varias dezenas de convidados, representantes de diversas entidades e organismos ligados ao sector da energia. A sessão contou ainda com as intervenções de Francisco Vieira e de Pedro Cabral, Diretor Geral da DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia.
“O BP Statistical Review of World Energy tem fornecido, nos últimos 62 anos, dados consistentes e objetivos sobre os mercados globais de energia. A edição deste ano destaca a diversificação das fontes de abastecimento mas, acima de tudo, indica que os desafios do setor energético estão na adaptação flexível às grandes mudanças que estamos a viver”, referiu Francisco Vieira, presidente da BP Portugal, na abertura da sessão de apresentação deste estudo em Portugal.
Os dados de 2012 revelam que o ritmo de crescimento da procura energética mundial abrandou para 1,8%, face aos 2,4% registados em 2011. Valores que refletem não só a desaceleração económica registada a nível mundial, mas também o comportamento dos indivíduos e das empresas em relação ao aumento dos preços, tornando-se mais eficientes no uso da energia. Na OCDE, a procura por energia tem vindo a cair nos últimos cinco anos. Este é, aliás, o local onde se verifica o maior impacto dos preços altos na implementação de melhorias no âmbito da eficiência energética.

De acordo com Paul Appleby, Head of Energy Economics do Grupo BP, responsável pela apresentação do estudo em Portugal, “dificilmente o mercado energético terá um papel relevante na resolução da crise económica na zona euro, mas pode ajudar a combater alguns dos problemas na região.” Como? "Pode com certeza ajudar se os mercados energéticos forem mais eficientes e se a energia for ser disponibilizada a um custo mais baixo. O melhor que os líderes podem fazer neste momento é ajudar o mercado a operar, com os mínimos dos constrangimentos para o ambiente", explicou o especialista.

Já a procura de energia por parte das economias emergentes da não-OCDE ultrapassou a da OCDE em 2008, e mantem-se desde então em ascensão. A procura pelos países não membros da OCDE cresceu 4,2% no ano passado, enquanto a procura dos países membros da OCDE caiu 1,2%. Esta alteração no crescimento da procura global de energia – das economias maduras da OCDE para os países emergentes de rápido crescimento – está bem documentada e tem sido amplamente debatida; os dados demonstram o quanto a mudança tem sido dramática. Há apenas 20 anos, as economias emergentes representavam 42% do consumo mundial de energia, face aos atuais 56% e 65% que se preveem para 2030. Esta é a principal razão pela qual o consumo de energia continua a crescer e se projeta a continuação desse crescimento, pelo menos nas próximas duas décadas. 

Do lado da oferta, o grande fenómeno continua a ser a revolução do gás de xisto americano. O carvão continua a ser o combustível fóssil de maior crescimento, com a China, a liderar, pela primeira vez, o ranking dos países consumidores.

Para Paul Appleby, “o ‘boom'' na produção de gás de xisto nos EUA em 2012 está entre as principais tendências energéticas mundiais” mas a Europa pouco terá a ganhar com a "revolução do xisto" nos próximos anos devido às políticas europeias para o sector. “Será preciso muito mais tempo para a Europa poder beneficiar com o gás de xisto como beneficia atualmente os EUA. A Europa estará por isso em desvantagem competitiva em relação aos EUA por alguns anos...", disse o especialista no mercado energético mundial.

Pedro Cabral, Diretor Geral da DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia, encerrou a sessão com uma análise panorâmica sobre a situação energética atual do país, referindo as prioridades da política energética portuguesa com alguns exemplos da sua implementação. “A promoção da exploração de fontes endógenas de energia, numa relação custo eficiente, é uma das prioridades da política energética atual, com uma estratégia para atrair mais empresas a investir na exploração para produção de petróleo e gás em Portugal. Existem várias bacias sedimentares em Portugal com bons indícios de hidrocarbonetos e estas descobertas, nomeadamente a prospeção que está a ser realizada no Algarve, se economicamente viáveis, permitirão reduzir a dependência energética, aumentar a receita do estado, criar postos de trabalho e impactar substancialmente a competitividade do país”.

Destaques - Desenvolvimentos no setor Energético

  • O consumo de energia primária no Mundo cresceu 1,8% em 2012, bem abaixo da média dos últimos 10 anos, na ordem dos 2,6%.
  • O consumo de energia em países da OCDE caiu 1,2%, liderado por uma queda de 2,8% nos EUA (maior queda do mundo em termos volumétricos).
  • O consumo de energia em países não-membros da OCDE cresceu 4,2%, abaixo da média (5,3%) dos últimos 10 anos.
  • O crescimento do consumo global ficou abaixo da média para todos os combustíveis fósseis e energia nuclear; regionalmente o crescimento ficou também abaixo da média em todos os lugares, exceto em África.
  • O Petróleo continua a liderar os combustíveis do mundo, com 33,1% do consumo global de energia, mas continua a perder quota de mercado pelo 13.º ano consecutivo; a sua participação no mercado atual é a mais baixa no conjunto de dados da BP, que começa em 1965.

BP Statistical Review of World Energy

Publicado anualmente há 62 anos, o BP Statistical Review of World Energy é uma referência mundial no setor energético. O documento, que faz a retrospetiva do ano transato dando enfoque às principais tendências no campo energético, fornece dados sobre a produção, o consumo, as reservas, preço e comercialização dos principais tipos de combustíveis (carvão, petróleo, gás natural, nuclear e energias renováveis) categorizados por região/país. 

Este estudo está compilado a partir de dados oficiais e de fontes primárias e é apresentado num relatório anual desde 1965. Atualmente esta publicação tem uma tiragem de 50.000 exemplares impressos e entregues em todo o mundo. A versão online está disponível desde 1996. 

Conheça aqui os dados de 2012.