Análise Estatística da BP sobre a Energia Mundial 2018: Dois passos para frente, um passo para trás

13 de junho de 2018

  • Crescimento da demanda global de energia está acima da média de 10 anos
  • Gás natural foi a fonte energia que teve maior crescimento, impulsionado pela mudança de carvão para gás na China, e renováveis ​​continuam a crescer
  • Pela primeira vez, a Análise Estatística da BP sobre a Energia Mundial inclui dados sobre o mix de combustíveis no setor de energia, que está inalterado há 20 anos, e materiais-chave (por exemplo, lítio e cobalto) para o mundo da energia em mudança

Ao apresentar a edição de 2018 da Análise Estatística da BP sobre a Energia Mundial, Bob Dudley, presidente do Grupo BP, disse: “2017 foi um ano em que as forças estruturais no mercado de energia continuaram a impulsionar a transição para uma economia de baixo carbono, mas fatores cíclicos reverteram ou retardaram alguns dos ganhos dos anos anteriores. Esses fatores, combinados com a crescente demanda por energia, resultaram em um aumento significativo nas emissões de carbono após três anos de pouco ou nenhum crescimento.”

Dados publicados na Análise – em sua 67ª edição anual – mostram que:

  • a demanda por energia aumentou, liderada pela crescente demanda por gás natural e renováveis,
  • os ganhos em eficiência energética diminuíram à medida que a atividade industrial na OCDE acelerou e a produção dos setores de uso mais intenso de energia na China voltou a crescer,
  • o consumo de carvão aumentou pela primeira vez em quatro anos, liderado pela crescente demanda na Índia e na China, e
  • estima-se que as emissões de carbono tenham aumentado após três anos de pouco ou nenhum crescimento.

Em 2017, a demanda global por energia cresceu 2,2%, acima da média de dez anos de 1,7%.  Este crescimento acima da tendência foi impulsionado por um crescimento econômico mais forte no mundo desenvolvido e uma ligeira desaceleração no ritmo de melhoria na intensidade energética.

A demanda por petróleo cresceu 1,8%, enquanto o crescimento da produção ficou abaixo da média pelo segundo ano consecutivo. A produção da OPEP e dos outros 10 países que concordaram com cortes caiu, enquanto os países produtores que estão fora desse grupo, principalmente os EUA, impulsionados pelo petróleo de folhelho, registraram aumentos. O consumo excedeu a produção em grande parte de 2017 e, como resultado, os estoques da OCDE recuaram para níveis mais normais.

O ano de 2017 foi bom para o gás natural, com aumento de consumo de 3% e de produção de 4%, apresentando as taxas de crescimento mais rápidas desde logo após a crise financeira global. O principal fator que impulsionou o consumo global de gás foi o aumento da demanda de gás na China, onde o consumo aumentou mais de 15%, impulsionado pelas políticas ambientais do governo que incentivam a troca de carvão para gás.

Renováveis cresceram bastante em 2017, com as energias eólica e solar na liderança. O consumo de carvão também aumentou, crescendo pela primeira vez desde 2013.

Bob Dudley comentou: “A análise deste ano examina, pela primeira vez, o mix dentro do setor de energia elétrica. O mais surpreendentemente foi ver que a participação do carvão no setor está inalterada em relação a 20 anos atrás.

“Como dissemos em nossa outra publicação – Energy Outlook, bem como no Technology Outlook e agora em nossa Análise Estatística, o sistema de energia elétrica precisa se descarbonizar. Continuamos acreditando que os ganhos no setor de energia elétrica são a maneira mais eficiente de reduzir as emissões de carbono nas próximas décadas.”

Destaques da análise

Energia primária

  • O consumo de energia primária cresceu 2,2% em 2017, em comparação com 1,2% do ano passado e o crescimento mais rápido desde 2013. Isso se compara à média de dez anos de 1,7% ao ano.
  • Ao analisar cada combustível, o gás natural foi responsável pelo maior incremento no consumo de energia, seguido pelos renováveis ​​e depois pelo petróleo.
  • O consumo de energia aumentou 3,1% na China. A China foi o maior mercado em crescimento de energia pelo 17º ano consecutivo.
  •  As emissões de carbono do consumo energético aumentaram 1,6%, após pouco ou nenhum crescimento nos três anos anteriores (de 2014 a 2016).

Petróleo 

  • O preço do petróleo (Dated Brent) ficou em média em 54,19 dólares por barril, acima dos 43,73 dólares/barril em 2016. Este foi o primeiro aumento anual desde 2012.
  • O crescimento médio do consumo global de petróleo ficou em 1,8%, ou 1,7 milhão de barris por dia (b/d), acima da média de 10 anos de 1,2% pelo terceiro ano consecutivo. A China (500.000 b/d) e os EUA (190.000 b/d) foram os maiores contribuintes para o crescimento.
  • A produção global de petróleo cresceu 0,6 milhão b/d, ficando abaixo da média pelo segundo ano consecutivo. Os EUA (690.000 b/d) e a Líbia (440.000 b/d) registraram os maiores aumentos na produção, enquanto a Arábia Saudita (-450.000 b/d) e a Venezuela (-280.000 b/d) registraram as maiores quedas.
  • A produção das refinarias subiu 1,6 milhão de b/d acima da média, enquanto o crescimento da capacidade de refino foi de apenas 0,6 milhão b/d, ficando abaixo da média pelo terceiro ano consecutivo. Como resultado, a utilização das refinarias alcançou seu nível mais alto em nove anos.

Gás natural

  • O consumo de gás natural aumentou 96 bilhões de metros cúbicos (bmc), ou 3%, sendo o mais rápido desde 2010.
  • O crescimento do consumo foi impulsionado pela China (31 bmc), Oriente Médio (28 bmc) e Europa (26 bmc). O consumo nos EUA caiu 1,2%, ou 11 bmc.
  • A produção global de gás natural aumentou em 131 bmc, ou 4%, quase o dobro da taxa média de crescimento de 10 anos.  O crescimento russo foi o maior (46 bmc), seguido pelo Irã (21 bmc).
  • O comércio de gás expandiu-se em 63 bmc, ou 6,2%, com o crescimento do GNL superando o crescimento do comércio de gasoduto.
  • O aumento nas exportações de gás foi impulsionado principalmente pelo GNL australiano e norte-americano (aumento de 17 e 13 bmc, respectivamente) e pelas exportações de gasodutos russos (15 bmc).

Carvão

  • O consumo de carvão aumentou em 25 milhões de toneladas de óleo equivalente (mtep), ou 1%, o primeiro crescimento desde 2013.
  • O crescimento do consumo foi impulsionado em grande parte pela Índia (18 mtep), com o consumo da China também subindo ligeiramente (4 mtep) após três quedas anuais sucessivas durante o período de 2014 a 2016.  A demanda da OCDE caiu pelo quarto ano consecutivo (-4 mtep).
  • A participação do carvão na energia primária caiu para 27,6%, a menor desde 2004.
  • A produção mundial de carvão cresceu 105 mtep ou 3,2%, a taxa mais rápida de crescimento desde 2011. A produção subiu 56 mtep na China e 23 mtep nos EUA.

Renováveis, hidroelétrica e nuclear

  • A energia elétrica renovável cresceu 17%, acima da média de 10 anos e o maior incremento já registrado (69 mtep).
  • A energia eólica proporcionou mais da metade do crescimento das renováveis, enquanto a energia solar contribuiu com mais de um terço, apesar de representar apenas 21% do total.
  • Na China, a geração de energia elétrica renovável aumentou 25 mtep – um recorde no país, e a segunda maior contribuição para o crescimento global de energia primária a partir de qualquer combustível e país, atrás do gás natural na China.
  • A energia hidrelétrica aumentou apenas 0,9%, em comparação com a média de 10 anos de 2,9%. O crescimento da China foi o mais lento desde 2011, enquanto a produção europeia caiu 10,5% (-16 mtep).
  • A geração nuclear global cresceu 1,1%. O crescimento na China (8 mtep) e no Japão (3 mtep) foi parcialmente compensado por declínios na Coreia do Sul (-3 mtep) e em Taiwan (-2 mtep).

Geração de energia elétrica

  • A geração de energia aumentou 2,8%, próxima da média de 10 anos. Praticamente todo o crescimento veio de economias emergentes (94%). A geração na OCDE permanece relativamente plana desde 2010.
  • As energias renováveis ​​foram responsáveis ​​por quase metade do crescimento da geração de energia (49%), com a maior parte do restante atribuída ao carvão (44%).
  • A participação das renováveis ​​na geração global de energia elétrica aumentou de 7,4% para 8,4%.

Lítio e Cobalto

  • A produção de cobalto cresceu apenas 0,9% ao ano desde 2010, enquanto a produção de lítio aumentou 6,8% ao ano no mesmo período.
  • Os preços do cobalto mais que dobraram em 2017, enquanto os preços do carbonato de lítio aumentaram 37%.

Notas aos editores:

  • A Análise Estatística da BP sobre a Energia Mundial e outros materiais estão disponíveis online no endereço www.bp.com/statisticalreview
  • Além da última edição impressa, o site também contém:
  • Dados históricos desde 1965 para muitas seções;
  • Dados adicionais para petróleo, gás natural, carvão, hidroeletricidade, energia nuclear, eletricidade e renováveis, bem como as emissões de CO2 provenientes do uso de energia;
  • Versões em PDF e pacotes de slides com mapas e gráficos, além de uma pasta de trabalho do Excel com diversos dados;
  • Fichas informativas regionais;
  • Vídeos e discursos.